segunda-feira, 17 de junho de 2013

O pássaro do canto mais bonito é VOCÊ.

Nos tempos que eu era um passarinho mudo,
não conseguia cantar.
Só chorava,
baixinho.
E mesmo assim,
ninguém me ouvia.

Comecei a crescer.
Percebi que as jaulas estavam em todos os lugares,
mesmo que me mentissem sobre isso.
Pintavam lindos campos,
nas paredes de nossas jaulas,
para que nascêssemos,
crescêssemos,
e pensássemos, que éramos livres.
Mas a crítica à realidade me permitiu perceber,
que liberdade ainda é, infelizmente,
utópica.

Pessoas gananciosas,
embriagadas pelo poder,
queriam me roubar,
da maneira mais absurda possível:
me fazendo acreditar que eu faria o bem
vendendo a minha própria alma.

Sempre se gabavam de si mesmos,
e riam de mim, desde quando nasci.
Pois a beleza de corpo nunca foi minha virtude.
Chorava pras estrelas,
rogando que me transformassem em pavão.

Mergulhado em misantropia,
foi quando descobri
a verdadeira dádiva dos deuses:
o meu canto.

É somente no sofrimento,
que descobrimos do que somos capazes de fazer,
e até onde conseguimos chegar,
pra continuar sobrevivendo.

Este canto podia transformar tudo que é séptico,
em mel aos ouvidos,
e é claro,
sem perder o terror daquilo que é real.

Ele era meu dom.
Desde então comecei a transformar-me em canário.
Por mim mesmo,
para mim mesmo.
Ao ponto de que comecei a ser percebido até mesmo por aqueles que me odiavam.
E quem me amava, me invejou de início.
Não culpo eles,
culpo a triste realidade,
na qual estamos inseridos.

Não me sinto completo,
me sinto feliz.
Mas não se esqueça:
você pode comprar o mundo daqueles que o venderam,
mas depois do tédio, perceberás que a felicidade só é real quando compartilhada.

Espero que todos encontremos aquilo que nos faz pessoalmente felizes,
ou seja, em ser quem quisermos ser,
e poder dividir isso com a felicidade alheia.
Oh, como seria belo isso.



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