Oh, grande Zarathustra,
concordo contigo quando falavas que nossos espíritos são mais
"Tu deves" que "Eu quero".
Apenas obedecem o "Tu deves"
e não dizem mais "Eu quero",
até os tempos atuais.
Não que a minha não o faça,
mas tenho consciência e
luto com todas minhas forças contra isso!
Nós não conseguimos entender ainda que as nossas carnes e mentes foram modeladas
pela benevolência de um Deus patriarcal e inescrupuloso.
Por favor, CALEM MEU SARCASMO!
Queria poder dizer:
somos todos rosas...
Bonitas, cheirosas, sinceras,
mas que possuem também seus espinhos.
Eu só queria um mundo onde as mulheres se impusessem ao querer saciar seus desejos,
enquanto que os homens pudessem apresentar-se socialmente como delicados por natureza.
Por favor, alguém responda: há alguma coisa de errado nisso?!?
Quero aqui deixar bem claro que sou totalmente contra a violência à mulher.
Embora também sou contra à docilidade das mulheres de porcelana,
fabricadas à base da chibata patriarcal,
as quais não conseguem se impor pois pertencem à natureza das almas dóceis.
É óbvio,
não nego que,
em contrapartida,
o Homem mais que abusa disso,
por pertencemos a uma sociedade modelada em valores patriarcais seculares.
Por pensar assim, me imagino (às vezes) mais feminista que algumas mulheres que dizem que são
e querem subjugar os Homens nos estereotipando como iguais.
Mesmo assim as forças dos valores masculinos sempre estão me cercando,
e eu não sua perfeito: também sou carne e mente modelados.
A minha luta interna é sempre acirrada para que os valores machistas não me possuam,
como é visto de forma natural para os outros varões.
Luto comigo mesmo pelo "Eu quero", e não pelo "Tu deves".
Há contradições em todos os lugares.
Em mim e nos outros.
É algo inerente ao ser humano.
Conheço mulheres de gerações modeladas ao estilo tradicional do ser,
ou seja, machista, que privam a mulher à cozinha, e escondem o livro.
O único livro que ela não escondem é a Bíblia: o livro do "Tu deves" mais
arcaico do Mundo Ocidental.
Os valores machistas pregam ainda que as mulheres são como reencarnações da santa Maria,
e devem morrer virgens em seu cárcere espiritual "Donas de casa".
e ainda por cima, a grande maioria acaba por perecer em sangue podre.
Pregam também que o lugar que mais deve dar orgulho ao homem é o prostíbulo,
ideologia legitimada pelo patriarca familiar, núcleo e base desse tipo de poder.
As
convicções raciais e sexuais são um tanto dúbias: os negros somente
podem e devem ser seus serviçais e um Homem de verdade não pode ter
amigas, só amantes, afinal de contas:
"um homem com muitas amigas é suspeito, deve ser um doent... quer dizer... afrescalhado."
O valor exacerbado à beleza e à juventude também são importantes.
No presente momento, lembro-me daquela famosa frase do senso comum:
"Não é apenas mais um rostinho bonitinho..."
Mas não foram esses valores promulgados por um sistema de ideais platônicos
dizendo que "há um padrão a ser seguido"?
Vossas respostas são "SIM", meus irmãos.
Creio que já ilustrei suficientemente sobre os valores machistas,
embora sei que há muito mais, de onde isso vem.
O senso comum de nossa sociedade prega:
Não existe palavra tão depreciativa como "puta",
e quando usada no masculino, tão 'honrosa'.
Não existe palavra tão depreciativa como "viado",
quando usada para desmoralizar verbalmente os heterossexuais do grande rebanho.
Os homossexuais antes de ontem,
eram julgados como aberrações que deveriam perecer em sangue podre.
O mesmo com a era da Liberdade Sexual.
Os homossexuais ontem,
foram julgados pelo Homem ocidental moderno como os coitados que devem ser aceitos.
Os homossexuais hoje,
são julgados doentes que devem ser adestrados pela Ordem Divina.
Mal conseguem perceber, esses homens da Ordem Divina que, ao fazerem isso
são eles mesmos os verdadeiros doentes de espírito.
Não há nessa existência doença pior que essa,
pois ela transforma o Homem em desprezível
aos olhos de quem consegue o ver.
Somos seres de valores tão estúpidos, que temos vergonha até de nossas próprias genitálias...
Que são o que representa importante grau na criação de nossas subjetividades.
Afinal de contas, que fabrica isso?
Essas certezas tão bem boladas,
que engana até aqueles que se dizem ser os mais Sábios?
Mesmo assim, creio que ainda não sou Boca pra muitos Ouvidos,
e minhas palavra não atingirão as vistas de vários.
Perguntas as quais não encontrarei respostas...
Não em poucas reflexões...
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Observe bem, a arma, ela não existe de fato na vida de nossas famílias.
Mas ela existe no sentido ideológico e filosófico, sempre transformando a Mulher em submissa,
fazendo com que ela ache tudo isso muito natural.
E observe também face a do Homem, em incorporar o Deus patriarcal e inescrupuloso. |