sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Bomba-relógio.


A cada "tic" é um "tac" a menos. 
E as pessoas andam como formigas. 
Todos os dias nas ruas da cidade.
Dias vão e dias vêm,
E tudo muda.
E espirito do tempo muda tudo.
Quem tem, quem não tem.
O que é sólido se desmancha pelo ar.
Ontem velho, hoje novo, 
e o amanhã nem existiria 
se eu fosse você.

E a cada "tic" é um "tac" a menos.
O aeon, as guerras, as eras, o paleolítico,
o neolítico, o pré-homérico,
o ridículo e o crítico.
O estado-crítico.
O universo num grão de areia.

E a cada "tic" é um "tac" a menos.
Ninguém vê. Ninguém sente.
Nas profundezas habita algo.
Algo que ainda não nasceu.
De lava, lavus, lodo, humus.
Os símbolos ancestrais, 
os sinais e as cornetas acenam.
As pessoas não percebem...
São formigas andando 
nas ruas de sangue.
Morte, miseria e fome.

E a cada "tic" é um "tac" a menos.
É como o sexto continente,
uma enorme massa de lixo,
navegando no pacífico.
Mas ninguém vê, ninguem sente.
O aquecimento global.
Mas viram o ator global.

E a cada "tic" é um "tac" a menos.
E de pouco a pouco 
vamos cedendo.
Cedo ou tarde, 
amanhecendo.
O pulso elétrico das luzes.
Corpo luminoso.
E se existe uma bomba 
no coração de todos nós,
quando ela explodirá?






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