quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Oração à São Lázaro / Oración a San Lázaro.

Ontem nós éramos grandes.
Porém nossa riqueza 
de outrora nos fora furtada,
subtraindo-nos à nossa 
mínima expressão.

Hoje eu vejo meus irmãos:
virando latas de lixo para viver,
vagando e divagando 
sem orgulho algum.

Cigarros pequenos,
pele marcada,
dormindo em ruas,
brigando com cachorros 
e fugindo de porcos.
Cachaça e crack,
o ópio da alma...

Àquele pobre-nobre homem:
é somente um zumbi,
que levantou da tumba
(e) do concreto
sujo de suor e sangue.

Se um dia tiverdes noção de vossa grandeza,
todos se ajoelhariam à seus pés, 
e beijariam as chagas 
de vossas pernas,
Amém. 

TRADUCCIÓN AL ESPAÑOL-----------------

Ayer nosotros eramos grandes
pero nuestra riqueza
de otros tiempos nos fuera robada,
restando-nos a la nuestra mínima expresión.

Hoy veo mis hermanos:
virando latones de basura para vivir,
vagando y divagando
sin orgullo ninguno.

Cigarros pequeños,
piel marcada,
durmiendo en calles,
peleando con perros,
huyendo de puercos.
Aguardiente y crack,
el ópio del alma.

A aquel pobre-nobre hombre:
eres nada más que un zombi.
Que se llevantó de la tumba
(y) del concreto
sucio de sudor y sangre.

Si un dia llegaren a tener noción de vuestra grandeza,
todos se arrodillarian bajo a sus piés,
y besarian las llagas
de vuestras piernas,
Amén.



terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Manicômio (ou coma incômodo?)


Se te dissessem 
e te provassem,
que todas as coisas 
de sua convicção,
não passassem de mentira,
como prosseguirias?
Teto de vidro,
chão de gelo...

A vida moderna
e toda sua História.
Andar nas ruas,
com aquela velha noção do útil.
"Um grande futuro à frente!"
"Como você é bom!"

Eis os cães:
pedófilos,
estupradores,
prostitutas,
ladrões,
mendigos,
aviões,
noias e viciados.
Viciados em tudo
que nos vêm em mente.
Todos dias nos batemos.
Os sociopatas e anti-sociais.
A escoria, a corja, os ratos...
E eles...
Os loucos da rua!
Os loucos da rua!
(A rua dos doidos!)
Loucos doidos varridos da rua.
E todos os outros que se escondem atrás de roupas socialmente aceitas, 
cores e condutas 
socialmente adequadas.

Poderia ser eu ou você.
Poderia ser seus pais,
seus filhos.

Saí da linha! - CADEIA.
O ser está preso,
em sua própria mente:
as grades são fibras musculares,
a chave, joguei fora...
- DANO CEREBRAL.

Esqueceram de mim...
Estou tão triste...
"Acho que estão me observando..."
Tem uma "voz" 
na minha cabeça,
repetindo isso...
Talvez seja o abismo da existência.

Lítio, inibidores seletivos da recaptacão de serotonina, haloperidol, amitriptilina,
trihexifenidil - meus inimigos têm nomes.
- TERAPIA ELETRO-CONVULSIVA!!!

Sai da linha!
Sai da linha pra você ver!
Serás esmagado pelo 
abismo socio-cultural.

Eu vou pro trabalho, 
e penso em você...
Sempre...
E me revolto.
E minha revolta 
já nem tem mais forma.
Não tem jeito:
volto pra rotina mais cedo,
sagrada e massacrente...
Cansante e incessante...

Até que:
o coração cesa.
A respiração cesa.
A inteira vida passa,
e eu andei entre vocês, viu(!?):
meus inquisidores,
meus assassinos,
moralistas,
os que me ensinaram 
a dizer 
"sim senhor!"
e com amor,
e refutavam 
"obedeça,
seu merda!".

Mas eles não estão loucos!!!
Eles se que se ajoelham, 
mas não estão loucos.
Compram armas,
mas não estão loucos.
Se vêem superiores,
mas não estãos loucos.
Humilham, estupram,
torturam, escravizam,
lobotomizam,
tem mil e um preconceitos...
Homens de ben$:
se essas são as criaturas
feitas à imagem e semelhança
de um deu$ 
(cruel e impetuoso ser divino),
eu sou uma serpente rastejante.

Se eu me deprimo,
eu sou doente.
Se me revolto,
estou doente.

Mas antes,
eu abaixo a cabeça
e sigo em frente..
Atravesso a rua
e até penso, 
até vivo...
(Me sinto) Vivo.
Escrevo uma poesia
que poderia ser linda.
Poderia ser lida.
E recitada aos 4 ventos:
quebro a corrente, 
o ciclo da merda,
a aonde passo,
sou a luz e a semente.

E tenho a certeza
de que mesmo sendo poucas,
talvez seja essa a maior de todas:
conheci pessoas melhores
dentro de um
manicômio.



segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Uni-forme.


Uniforme...
Eu não sou um uniforme!
Porém quando o coloco,
eles fingem que me respeitam...
Fingem que pensam que sou alguém.
Pareço algo com um propósito:
um vácuo uniforme.

Seu uniforme me fez chorar.
Eles acham que eu gosto.
Que eu nunca seja uniforme
com o que eles pensam.
Aonde está a saída
de emergência?

Me olho no espelho
duas vezes por dia...
acho que não me esquecerei
de quem sou, fiz, farei.
Isso me acalma a alma.

E as vezes me perco:
e coloco esse uniforme...
Mas não me dão opção.
Se sou bom cão,
me dão um osso.
Gratidão pelo esforço.
Não me lembro
mais quem sou?

O que você disse?
Que jamais sejas uniforme
com o que eles dizem.
Uniforme (d)o soldado.
Só vejo soldados mas não guerreiros:
que não sejam soldados ao etéreo,
nem ao desejo de ser veneno.

Dizem por aí que a Lei se deve respeitar.
Isso me disse o bom soldado.
E quem a fez, a respeita?
E qual é a receita de ser livre?

Eles colocam um uniforme,
e correm pra me punir.
O soldado-uniforme.
Mas eles precisam de mim:
sou(l) o propósito deles.
E se eles me vigiam
quem vigia eles?

O uniforme pode transformar
qualquer um:
Um ouro de tolo.
Uma faísca de poder,
uma faísca de fascismo.
Uma pequena ereção,
um pequeno orsgasmo
Uma leve noção de estar contribuindo.
Uma leve noção de estar uniforme
com o universo-uniforme.

Permissão pra me retirar, senhor!
Tiro e meu uniforme e vou pra casa...
(Me ajude meu $enhor)
Que alívio...
Exausto, porém...
Por um breve momento
me esqueci da cruz.
Do corredor da morte,
da pena (do) capital.
Dos inúmeros tumultos e túmulos.
Um clímax meio turbio.
Entorpecido, respiro, "descanso".
Amanhã é outro dia...

Tá na hora de acordar!
E a cada tic é um tac a menos:
meu relogio já não
tem mais números,
anda de trás pra frente,
minha vida está ao avesso!
Na contramão e a diário sem freio!
Sinal vermelho!
Porta fechada!
E a saída é a porta principal...
Mas calma...
Eu ainda não ser(r)ei a corrente.

Despois de Isabel,
todo mundo que ser rei,
ou ao menos
um homem de bem
(não um mendigo),
e colocar um uniforme.
Ser uniforme.

Movimento uniformemente invariado!
Elipse, espiral, helicoidal e universal.

Todos os meus sonhos foram roubados!
E o sangramento estancado dos meus dias formou uma poderosa nuvem negra,
e seu reflexo
eu vi no chão,
sem pena
nem compaixão.
Puro ódio,
rebelião irmão.
Ei...
Você quer conhecer minha prisão?



domingo, 20 de dezembro de 2020

La Bayamesa invertida.


E quando eu olhei no escudo da bandeira,
avistei de pronto uma linda palmeira.
Pensei: quem me dera o verde lá do alto fosse o verde dos meus olhos;
e o ouro de outrora reluzisse em minha pele.
Que a liberdade dessa Pátria 
(partida ao meio) fosse (em) vida, 
pois morrer por algo de outrém 
é morrer em vão.
Venceremos e seremos todas as manhãs,
não às revoltas amarguradas transvestidas de revoluções-rotações e rupturas prematuras por minuto.
E se corressemos contra à historia pra pegar armas valentes a matar quem nós fomos-somos-seremos, seríamos diferentes?
Não olhariamos para o norte à procura de uma falsa opulência?
Devo tudo ao Estado lamentável de minhas palavras;
ao Estado inalterável da minha mente cansada pelo longos anos que passarão (sobre)vivendo nesse Sol forte e velho
que tanto nos queima mas odiamos dias de chuva.

E os olhos das ruas, em cada esquina sopram murmulhos como o vento 
destas noites frias.
Queriamos muito mais.
Tinhamos muitos sonhos,
muitas esperanças, 
mas o barco furou e o trem já partiu, rumo à desconfiança em 
tudo que é mais sagrado, 
símbolos pátrios, efemérides...
E aos que riram com desgosto
da puta que (não) pariu, partiu.
E os bebês que repelem a babaquice imposta, e o imposto não importa.
FODA-SE O VELHO E VIVA O NOVO,
mas quem contruiu esse chão 
que tanto nos sustenta???





sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Bomba-relógio.


A cada "tic" é um "tac" a menos. 
E as pessoas andam como formigas. 
Todos os dias nas ruas da cidade.
Dias vão e dias vêm,
E tudo muda.
E espirito do tempo muda tudo.
Quem tem, quem não tem.
O que é sólido se desmancha pelo ar.
Ontem velho, hoje novo, 
e o amanhã nem existiria 
se eu fosse você.

E a cada "tic" é um "tac" a menos.
O aeon, as guerras, as eras, o paleolítico,
o neolítico, o pré-homérico,
o ridículo e o crítico.
O estado-crítico.
O universo num grão de areia.

E a cada "tic" é um "tac" a menos.
Ninguém vê. Ninguém sente.
Nas profundezas habita algo.
Algo que ainda não nasceu.
De lava, lavus, lodo, humus.
Os símbolos ancestrais, 
os sinais e as cornetas acenam.
As pessoas não percebem...
São formigas andando 
nas ruas de sangue.
Morte, miseria e fome.

E a cada "tic" é um "tac" a menos.
É como o sexto continente,
uma enorme massa de lixo,
navegando no pacífico.
Mas ninguém vê, ninguem sente.
O aquecimento global.
Mas viram o ator global.

E a cada "tic" é um "tac" a menos.
E de pouco a pouco 
vamos cedendo.
Cedo ou tarde, 
amanhecendo.
O pulso elétrico das luzes.
Corpo luminoso.
E se existe uma bomba 
no coração de todos nós,
quando ela explodirá?