A vida trafega em meio a excessos e escassezes. A manutenção do bem-estar, para ser funcional e dinâmica requer de equilíbrios. Equilíbrio, seja ele físico, espiritual, emocional, mental, econômico e principalmente: o equilíbrio político-social... Somos seres, forças (ativas ou passivas) e potências interconectadas e retroalimentadas.
A cultura é um dos principais fatores formuladores e modeladores da subjetividade humana e das contradições sociais, que, por sua vez, está profundamente ligado ao espirito do tempo.
Ou seja, somos frutos de um determinado e muito particular meio (contexto histórico).
Sim, somos os filho do meio da História, sem propósito nem finalidade, teorizando passados e futuros permanentemente.
Essa falta de propósito coletivo soma-se com a falta de compreensão de nossa origem gerando um vácuo filosófico, que é facilmente preenchido por códigos morais e místicos formulados por grupos sociais específicos intere$$ados na criação e preservação do poder, bem como domínio completo de inteiros rebanhos. Desta maneira, estes grupos que apelam para o discurso místico escolhem: os devem amar e defender o direito à ignorância, e ainda os armam com o dom da hipocrisia.
A incessante busca pelos sentimentos que não possuímos nos submete ao constante conflito, seja ele interno ou externo. Tal premissa permeia para muito além de tudo que é animado e inanimado, pois a mudança é algo constante, não linear, e por muitas vezes, imperceptível ao olho humano.
Nós vivemos baixo égides de macro e micro estruturas em forma de rede de códigos e significados que nos dominam (do útero ao túmulo), nas quais estamos profundamente entrelaçados e muito longe de entender sua real complexidade.
O sistema de contradições no qual estamos inseridos, assim como outros mecanismos, reflete/reproduz ciclicamente (de maneira desorientada) a Diferença existente em cada um.
Talvez seja ela a única característica universalmente compartilhada.
Essa Diferença é a essência do ser, porém, a sua interpretação, por grande parte das vezes, é deturpada. Deveria ser amplamente usada como forma de união, mas o medo ao desconhecido a transforma no principal motivo de desunião e desigualdades.
O E$tado, por sua vez, é (talvez) o maior oportunista de todos, nesse jogo caótico chamado vida. Máquina de demagogias e hipocrisias, faz dele o maior conservador das desigualdades.
Devemos sim, questioná-lo desde suas raízes, porém somos ofuscados por nossa falta de compreensão: quando a História escrita surgiu, o E$tado já existia. E na maioria dos exemplos do que nos chega, se tratavam de Estados teocráticos.
O Espírito do tempo e a ação humana modelou o sistema capitalista. O produto final do sistema capitalista é o lucro com a Morte. Devido aos que morrem no fim desse bizarro jogo, é automaticamente passado aos vivos a responsabilidade de se preservar. Porém o sistema é profundamente contraditório e corruptível: sendo assim, zela pela manutenção do Capital às forças que já o dominam (historicamente).
Ele divide pouco entre muitos e muito entre poucos: preserva à constante quebra de equilíbrio.
Pouco importa a orientação progressiva ou não, pois suas instituições políticas servem ao capital.
Houve uma revolução burguesa num determinado período da História, que reforçou as ideias de nacionalismo e patriotismo para ludibriar a massa como uma evidente forma de demagogia.
E ainda vivemos baixo essa mesma revolução. Seus avanços cientifico tecnológicos todos respeitam a conservação do Capital. Um sistema tem como base o escravismo. Cria e alimenta diversas formas de conflitos, guerras, e ferramentas de alienação, manipulação e dominação.
As tentativas de $ocialismo também pouco conseguiram em ser diferentes da lógica de dominação do Capital, utilizando de discursos demagógicos, e por muitas vezes sendo até mais repressivos ao pensamento, o E$tado ($ocilaista ou não) já é contraditório por si próprio, criando assim: capitalismos de Estado, com controle (ostensivo ou não) das massas, o desrespeito às opiniões divergentes e à diversidade humana. Adota uma retórica de igualdade e justiça social, porem sua estrutura de poder é verticalmente hierarquizada. Seus logros e progressos devem ser considerados e aplaudidos, porém sua aversão à crítica e à democracia o transforma numa perigosa forma de poder, pois os dominantes e dominados são, inevitavelmente, seres humanos.
Quando a Morte é o produto (SS-olução) final, de nada vale o (etéreo) progresso, pois outras de forças antiprogressistas conseguem suprimi-la facilmente. Agora, vivemos num período onde desinformação e anti-ciência foram banalizadas e se transformaram potentes armas para a dominação, desunião dos povos e preservação das desigualdades. A guerra pelo controle do produto final (Morte) permeia todas as esferas da existência.
Não é dizendo que a morte alheia também não seja motivo de glória de outras civilizações (atuais e antigas) ou qualquer forma de vida não humanas - A MORTE SEMPRE ALIMENTARÁ A VIDA,
porém não deveríamos seguir colocando-as como prioridade para uns e privilégios para outros (respectivamente).
O simples fato de ser conivente com dita realidade nos desumaniza.
Se o que mais destrói o ser humano é o próprio, então porque não evoluir?
Nunca conseguiremos deixar de ser o nosso próprio câncer(!?!?),
ou seja uma tentativa falha de evolução/regeneração...
Penso que somos capazes de ser muito mais do que essas prisões mentais que nos foram outorgadas.
Dito tudo isso, só me resta deixar aqui a pergunta:
precisamos realmente ser assim?
Luto para que não.

Pois é, precisamos mais do que existir, devir!
ResponderExcluiro maior paradoxo é que nós é que temos a chave da prisão!
ResponderExcluir