segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Uma nova manhã nascerá.


Ouça as correntes se arrastarem...
Enquanto isso...
Lá fora...
No profundo oculto da minha mente retalhada,
trovões caem sem parar...
E os pulsos dessa terra são como sinos que se dobram e vibram até rachar o chão ao meio:
a hora mais esperada dos meus dias.

Há de parar...
Há de parar essa paixão,
essa chama,
esse coração de ninguém,
que agora espuma dores e odores putrefatos.

Amanhã, meia-noite ou meio dia,
vou sorrir quando ver você chegar na minha porta.
Como eu queria!

Tenho sono...
E já era hora de dormir novamente...
O sonho dos lunáticos e dos poetas...
O meu sonho verde translúcido.

E quando vi, não acreditei:
era eu, esperando por mim,
esperan(çan)do por algo mais...


domingo, 10 de janeiro de 2021

O moribundo.


Lentamente apodreço...
Porém, de forma indigna.
Sem paz em vida.
Agonizando a cada esquina.

Ainda assim hei de alimentar-vos,
e aos que me amaldiçoaram,
Um 'Deus-lhe-pague' bem pagado.

Sinto a luz diminuir,
sinto o fogo a falhar.
Olhei para o pulso,
o meu relogio não tinha números.
Mas pulsa...
Pulsa seus ponteiros...
Pulsa o sangue de minhas arterias...
Pulsa lático que me assola
E latem os cães do inimigo.

A mão do mestre em minha cabeça.
Mas eu sou um bom garoto...
E com certeza me darão
os ossos dos meus irmãos.
Comerei suas migalhas com alegria.

Como serei grande sem nome?
Em meio a grades de fibras.
Atrapado pela trapaça do destino.
E o caminho do meu drama,
a tragédia da trama,
partirei sem seu fim?

Fiz promessas e não cumpri.
Jurei amores e errei.
Um dia, enfim só,
o mundo se esquecerá de mim.
À quem me dediquei?
Velho, vegetal e patético.
Numa noite (in)feliz...

Ando divagando nessa mesma cidade,
decrépita e de sonhos suspendidos,
sonhos suspensos nas nuvens.
Cidade de amores inacabados.
Que vive de um saudosismo esdrúxulo,
de um passado tão remoto quanto nossos dias de glória.
Sei que morrerei nessas ruas imundas,
tentando ensinar coisas bonitas...
Palavras, afegos, ternura, empatias:
a escola que eu não tive.

Lembrei-me de quando fui alguém:
e por incrível que pareça,
me sentia melhor,
mais forte,
pois tinha você ao meu lado.

E neste agora sem você,
carne, sangue e suspiros virando cinzas,
de não sei que alquimia se faz um final
para que nada nunca acabe.