segunda-feira, 14 de junho de 2021

O anti-33

 

Virando a esquina do sacrifício,
lá estava eu, de novo, fazendo
malabarismo na beira do abismo.

E no melhor momento:
apagam-se as luzes, é a hora do pesadelo!

Do real eu "não" entendo.
E "existir" é quase igual a "não resistir".
Tive que destruir as vozes vorazes.
Tive que sangrar de fazer a alma chorar:
lembrei que "ninguém é especial!"
Que inferno!
Reduzir o ego não é facil quando existem pessoas do seu lado.
Porém tudo isso é um caminho sem volta.

Pega a pá e enterra o pensamento.

Porquê:
ninguém vai juntar as águas do mar como num montão;
muito menos por os abismos em depósitos,
eu sei que não!
---Me desejei estar ao avesso---

Temer o inexistente?
Nunca.
Nenhuma alma vai ser livre da morte!
Ninguém vai conservar os vivos na fome:
os vermes não deixariam.

Então: esperar o quê?
Ninguém teve misericórdia de mim quando fui humilhado.
Nem quem eu chamei de "meu amor".
Pena que a minha intenção não era recíproca:
fui transformado num cachorro de uma diaba suja...
Fui banqueteado por uma matilha de lobos ferozes.
E todos riram de mim...

Mas não importa:
a prudência me fez comer a comida de um diabinho sujo,
apertar a mão dele,
e depois pensar ironicamente:
"esse diabo está morrendo de virose."

Mas é isso... um novo risco ao qual não me descuido a viver novamente.

Eu queria poder queimar as memórias,
mas nunca esquecer,
que neste lugar só existem 3 coisas que podem ser divididas:
pobreza, parasitas e vômitos.
A esperança nada mais é do que perecimento...
E eu cansei de esperar.
Agora eu quero voltar...



quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Mantra do esquecimento.


Desconheça a dor 
de pertencer a si mesmo.
Abdique.
O nada é melhor do que
se sentir bem, ou mal.

Vomite as forças que te arrastam para o supérfluo.
As correntes pesadas da escravidão.

Que o passado sem remorço seja uma ponte para o futuro.
O agora pertence ao nada.
E o nada é tudo. Perfeição, plenitude.

Não temer, e se temer,
vai e faz mesmo com medo.

Que meus demônios durmam...
Um sono pesado e profundo.
Não os quero mais.
O nada é melhor.
E nós estamos além disso: o bem, o mal.
Rancor é um sentimento muito baixo.
Prefira o nada.

E se você tem bom ânimo para o Amor.
Então use-o bem para algo que todos nós tanto sonhamos: a liberdade.

Como o amor e o ódio se parecem! Vede!
Eles são íntimos: se beijam, copulam
e te arrastam para o inferno.

Que as correntes mais pesadas se dissolvam.
Dominar e amar é sofrer.
O amor romântico (Eros) é finito e cruel.

Silêncio!
Deixa eles dormirem:
existem demônios caóticos
que nem eu nem você
estamos dispostos a conhecer.
Vamos retirar essa máscara de Hannya,
somos melhores do que isso.

Eu sou um homem pequeno:
guia-me com teu mestre
e o meu mestre te guiará.

Se já sabe disso tudo... então esqueça.
Preserve o teu bom sono.
Só o bom sono te dará forças:
a lua do dia chama o sol da noite.

Desconhecer e esquecer é maravilhoso!
Quem sabe, a ignorância seja realmente uma benção...
Quem sabe... (é uma maldição!)

---As vezes eu não existo---

E que as dores do passado se transformem em NADA: QUE VENHA A CURA!

Nesse momento, um bom pecador faria as pazes com seu dEUs.

E o nada...(?)
O nada..............
O nada...(!)
Nada...
Nada.
Na... da...
...
..
.

[Ssssilêncio.]




 

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Uma nova manhã nascerá.


Ouça as correntes se arrastarem...
Enquanto isso...
Lá fora...
No profundo oculto da minha mente retalhada,
trovões caem sem parar...
E os pulsos dessa terra são como sinos que se dobram e vibram até rachar o chão ao meio:
a hora mais esperada dos meus dias.

Há de parar...
Há de parar essa paixão,
essa chama,
esse coração de ninguém,
que agora espuma dores e odores putrefatos.

Amanhã, meia-noite ou meio dia,
vou sorrir quando ver você chegar na minha porta.
Como eu queria!

Tenho sono...
E já era hora de dormir novamente...
O sonho dos lunáticos e dos poetas...
O meu sonho verde translúcido.

E quando vi, não acreditei:
era eu, esperando por mim,
esperan(çan)do por algo mais...


domingo, 10 de janeiro de 2021

O moribundo.


Lentamente apodreço...
Porém, de forma indigna.
Sem paz em vida.
Agonizando a cada esquina.

Ainda assim hei de alimentar-vos,
e aos que me amaldiçoaram,
Um 'Deus-lhe-pague' bem pagado.

Sinto a luz diminuir,
sinto o fogo a falhar.
Olhei para o pulso,
o meu relogio não tinha números.
Mas pulsa...
Pulsa seus ponteiros...
Pulsa o sangue de minhas arterias...
Pulsa lático que me assola
E latem os cães do inimigo.

A mão do mestre em minha cabeça.
Mas eu sou um bom garoto...
E com certeza me darão
os ossos dos meus irmãos.
Comerei suas migalhas com alegria.

Como serei grande sem nome?
Em meio a grades de fibras.
Atrapado pela trapaça do destino.
E o caminho do meu drama,
a tragédia da trama,
partirei sem seu fim?

Fiz promessas e não cumpri.
Jurei amores e errei.
Um dia, enfim só,
o mundo se esquecerá de mim.
À quem me dediquei?
Velho, vegetal e patético.
Numa noite (in)feliz...

Ando divagando nessa mesma cidade,
decrépita e de sonhos suspendidos,
sonhos suspensos nas nuvens.
Cidade de amores inacabados.
Que vive de um saudosismo esdrúxulo,
de um passado tão remoto quanto nossos dias de glória.
Sei que morrerei nessas ruas imundas,
tentando ensinar coisas bonitas...
Palavras, afegos, ternura, empatias:
a escola que eu não tive.

Lembrei-me de quando fui alguém:
e por incrível que pareça,
me sentia melhor,
mais forte,
pois tinha você ao meu lado.

E neste agora sem você,
carne, sangue e suspiros virando cinzas,
de não sei que alquimia se faz um final
para que nada nunca acabe.