Parte da realidade é so um reflexo de nós mesmos.
Se você age com desconfiança para com a sua realidade, ela irá fazer o mesmo com você.
Um belo dia, o seu chão, que é de gelo, pode rachar,
e abaixo dele, o abismo.
Eles me negaram mais uma vez,
ao tentar adentrar no carnaval de vaidade deles...
Disseram que o meu perfil não se coaduna com o da casa.
É... eu nasci na pipoca.
Ao início, me revoltei.
Depois, refleti,
pouco me importa esse lugar cheio de pessoas de plástico,
rebolando a bunda pra se sentir ser alguma coisa chamativa,
e no final das contas, nada.
Meu mundo é a rua,
minha festa é minha vida. Fodam-se!
É nas ruas onde está a realidade sobre nos mesmos,
sobre até que nivel de absurdo podemos chegar.
Lá dentro, seus cérebros são batidos no liquidificador com tudo que ha de ruim: jogamos no lixo e dejetamos na privada.
Mas confesso que fiquei "carregado" depois disso.
Algo em mim queria respirar fumaça preta.
Algo em mim queria morder e sentir o gosto amargo do sangue.
Algo em mim queria cometer uma besteira, um suicídio coletivo.
Assinado: não sou perfeito.
É... nasce na merda.
Eu também nasci lá...
Aliás, quem não?
Você não sabe por onde eu andei.. o que eu vi e o que eu fiz até chegar aqui.
Me afastei dos meus amigos.
Então, fui conversar com Janaína.
Confesso que me emocionei.
Chorei muito. Desaguei.
É Jana, eles podem até te ignorar,
mas eu sei e você também sabe,
que tudo isso aqui é etéreo e que eles constroem seus luxos e edifícios altos te roubando inescrupulosamente,
pra depois eles mesmos se dividirem em cárceres privados imaginários, baseados em papel como moeda de troca de tudo.
E nem sequer se lembram de que isso tudo veio de você.
Trogloditas, escrotos, estúpidos...
Eu não perdoarei.
Mas eu tenho certeza:
a você retornaremos,
do verde ás cinzas,
da pedra ao pó.
Advertência:
os próximos aforismos são inapropriados aos supérfluos.
Meus amigos me encontraram.
Mas eu não sabia se me sentia muito bem ao ponto de ter um orgasmo ou muito mal ao ponto de me atirar de cabeça nas rochas de Yemanjá.
Eles tinham medo da polícia e a polícia tinha medo de mim.
Haha, quem iria proteger vocês agora se eu quisesse entrar na Embaixada do Tio Sam e apertar o botão vermelho do Apocalipse?
Eu liguei o "Stand by" da realidade, que durou algumas eternidades, aeons.
As pessoas ficavam desesperadas ao olhar nos meus olhos: foram os momentos mais Esquizos da minha vida.
A minha sorte era que eu tinha um irmão do meu lado, que não me abandonou nem um segundo.
Pegamos um transporte, e o carro saiu surfando no furacão Matthew.
Eu senti que podia mudar o código da Matrix.
O meu olhar era radioativo, cancerígeno, teratógeno e não pode poupar uma pobre mulher que, ao se deparar com sua informação,
fugiu do carro, atônita.
Quando descemos do carro: os motoristas estavam em pânico.
Atingi outras dimensões depois disso: caminhei com Estamira por cinco minutos eternos no "além dos além".
Quando voltei pra Havana, não estava em Havana.
Estava no fim o no início de tudo.
O tempo não existia e o meu sexto sentido era o que reinava.
Tudo era paradoxal.
Então eu vi muitas pessoas com marasmo, nuas, jogadas no chão, mendigando água e logo, esse sentimento me tocou.
Era uma dimensão onde todos pareciam almas condenadas podres, onde comiam lixo pra sobreviver e toda água tinha droga, pra você se viciar, ter que comprar mais e nunca saciar sua sêde.
"Se olhar muito para dentro do abismo, o abismo olhará pra dentro de ti."
Meu ego desapareceu,
assim como a realidade
e a morte parecia coisa pouca.
Tinha uma voz perecida com a minha,
no fundo, que me lembrava que eu precisava desse corpo ainda pra alguma coisa...
O Terror.
Eu só queria que esse terror se acabasse,
sabia que tinha que chegar em casa,
dormir não era uma opção,
ao fechar os olhos me vinha a imagem de estar me jogando no mar.
E isso seria o fim.
Meu amigo não me deixava dormir.
Mas a gente não conseguia chegar na casa, foi um caminho que durou uma eternidade.
E em muitos momentos eu pensei que era também era um mendigo nú com marasmo implorando por água. Dinheiro era papel ali pra essas almas penadas, ou seja, nada; e todo luxo e glamour era falso porque todas as pessoas tinham marasmo e mendigavam água,
porém algumas viviam em lugares bonitinhos, mas no fundo sabiam que tudo era falso.
Pensei em beber água suja dos poços de lama.
Me bati com varios antigos Orishás e Pais de santo nas portas de suas casas, fumando cachimbo e se mijando de rir do meu desespero..
Conversar com eles não era opção.
Além disso, fiquei mais em pânico porque não conseguia ver nenhuma imagem feminina na minha frente.
Por um instante eu me bloqueei: não conseguia rir nem chorar, minha libido estava apagada.
Lembrar de algumas palavras me mantinham vivo e andando como: "mãe", "pai", "amor"...
Você não sabe por onde eu andei!!! hahahaha!!!
Esse caminho parecia um inferno infinito!!! Numa selva de pedra, Babilônia!!!
Lembrei-me das antigas tragédias gregas onde, no fim, todo sofrimento era eterno, e eu acreditei estar em alguma tragédia dessa.
Lembrei-me aí de tanta coisa...
De que estar perdido naquela selva com Izadora e Marlovich era melhor do que isso; ou de que viver nesse mundo-escravo era melhor do que isso.
Lembrei-me do meu irmão dizendo que eu não podia desistir.
Lembrei-me de Nietzsche quando enlouqueceu.
Lembrei-me do anime Akira,
Tetsuo não conseguia controlar o seu poder e se transformou num câncer gigante, esmagando pessoas amadas e engolindo planetas.
Do Big bang, alienígenas me olhavam preso dentro de uma bolinha de gude e riam de mim.
Do final de Clube da Luta.
Imagens de guerra e bombas nucleares povoavam minhas retinas.
Eu ouvi a voz de Deus num poço tapado!!!
Subi numa escada de uma das casas que se parecia com a minha,
eu achei que eu tinha o poder de fazer aquele lugar ser minha casa.
Mas não era. O meu amigo já havia me dito.
O desespero me fez urinar nas calças.
"Esperança", bateu na minha mente.
Saí dali e voltei pro inferno das ruas...
Me negaram atendimento no hospital! hahahaha EU SOU O TERROR!!!
Encontramos a casa.
Outra guerra pra conseguir abrir a porta com a chave.
Conseguimos! Agora é só subir a escada e... que merda é essa? Já tinha subido 10 andares e a minha casa não era no segundo? Tudo era infinito.
Chegamos na casa como tal.
Tirei a roupa e fui pro quarto.
Lembrei-me de Brotas, Savador, nasci lá. Fiquei na posição de um feto, não sei bem o porquê... Obstetrícia talvez. Ou o conforto da barriga materna.
Depois meu amigo me falou que eu tinha que tomar banho pra melhorar, e eu fui.
Você está em Cuba, aqui banho normalmente é de balde.
Peguei uma cuia e quando me joguei água, senti o meu corpo se dissolver. Cai no chão como uma lesma tentando nadar.
Não me machuquei. Terminei o banho, fui tentar dormir mas não conseguia.
Não consegui acreditar que o sol ia nascer!!! Perdi a fé no Sol!
Cantei "Ave maria das ruas", cara... Creia!
Meu amigo ligou pra minha mãe, das ruas, e ela chegou em casa passado um tempo.
No inicio não confiei muito na realidade, mas logo acreditei.
Fiquei tão feliz!
Eu fui me lembrando da minha existência e reconstruindo cada fragmento da minha história.
Chorei de novo, disse que a amava.
Ela me acalmou bastante,
aferiu minha pressão: hipotensão com taquicardia!?
Isso se chama estado de choque meu amigo.
Ela me deu sal.
Me deu água com açúcar.
Fez uma sopa pra mim e pro meu amigo.
Me deu um esporro: disse que na vida tudo tem que ter um limite.
Eu me calei, como um filho quando faz merda.
Sim, sim, eu prometo cuidar mais de mim.
Eu prometo não me afastar mais dos meu amigos.
Eu prometo dar mais uma chance ao amor, encontrar uma namorada.
Fugir da misantropia...
Fugir da misantropia...
O final foi lindo,
voltei a rir e a chorar como um niño,
e quando menos se esperava,
o Sol nasceu brilhando fortemente e iluminou a minha vida.
E todas as coisas se recontruiram como um passe de mágica, num segundo...
Eu estava de volta,
mais agradecido e motivado do que nunca!!!
Como Albert Hoffman!!!
Pra que terminar com dor?
Se "quem se esconde detrás das sombras não merece amor."

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