segunda-feira, 13 de julho de 2015

As brumas da primavera.


Quantas primaveras já se passaram?
E quantas passarão?
Quando será o próximo desabrochar da flor?
Porém sua aurora fora perdida,

completamente desperdiçada.

Grandes ventos vivi,
Furiosas repressões viverei.
Embora tudo que vejo é efêmero e de etérea beleza,
tanto que se evapora como fumaça refletida no ardor.
A dor, e todo suor é sangue.

A primavera chegou, passou e nem percebemos.
Antes amávamos demais uns aos outros;
Antes amávamos demais a nos mesmos.
Tempos áureos se foram antes destas brumas.
E ate aquele amor, que parecia interminável, se foi,
trocado como escambo por desejos que nem sabíamos porque os tínhamos.


O espírito do tempo e sua brumas...
Disse que todo oposto é o mesmo invertido;
E que há mais semelhança entre as pontas e polos que no meio.
O elo perdido se encontra no ciclo,
o circulo, como uma forma perfeita, infinita e indefinida.
E o todo é paradoxalmente complexo, se quisemos entender...

Entender que há muito ódio no amor e vice versa.
Entender o alvorecer parecer o anoitecer.
Todos os dias são exatamente iguais,
exceto por agora, quando percebemos que estamos morrendo.
E cada "tic" é um "tac" a menos.
Contra isso viver é melhor que se preocupar.
Eu não me preocupo comigo.
Apenas vivo com o respeito maior a mim mesmo.



Entender que aos que amei retornarei, mais completo.
E que os que amam a mim, a mim retornarão,
como prova única de que há algo estatístico nesse todo passageiro.
Fácil: à aquele que vai embora,
que retorna na manhã seguinte,
sorridente, assim esperemos.

Mas lá não.
Lá de onde viemos,
donde o passado enterrou o ultimo suspiro algo que algum dia pode ser chamado de lembrança.
As cores eram mais fortes,
e a vida, mais crua.

Vivíamos como se não existisse amanhã.
Todo dia era fantástico e alimentava a gula da alma de querer ser mais.
Aquilo sim foram as primaveras mais perfeitas,
com o cheiro da velha inocência perdida.
Donde nascemos da terra como arvores,
crescemos descalços tomando banho de chuva
e sonhando em comer a terra molhada da vida.


As brumas da primavera fizeram você crer que tudo sobrevive independente de você;
 e que as pessoas são mais carentes do que aparentam;
e que existem coisas que você nunca será.
Apesar de que pra o corpo
tudo é possível.

Quem sabe a realidade revelada brumas me atingiu fortemente
e me transformou num ser mais centrado.
Quem sabe algum dia pessoas me entenderao
bem assim como tento me entender.

Mas ainda é cedo demais...
...o sol ainda é forte...
e por isso é cedo.

Cedo demais pra dizer eu te amo,
por que eu ainda não sei você quer o meu amor
ou a minha subordinação.
 

E principalmente, 
cedo demais pra ser o que eu não quero ser: mais um.
Mais um  pobre moribundo qualquer no mundo,
perdido, sem porque.

E mesmo que o pássaro liberto morra na semana seguinte,
prefiro lutar pelo que acredito ser a razão.
A razão do viver, fonte de sua potência.
Meu coração é um barco
à deriva na névoa.
 

Toda primavera tem suas flores,
mas nunca esquecer,
que por de trás de cada aroma, 

mora uma lembrança 
de morte bela 
e suas brumas...


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