quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Ruídos ainda inaudíveis da boca do abismo.



Eles mesmos vão se sentir sozinhos quando eu os abandonar.
Condenados a chorar solitariamemte de suas próprias vidas vazias, de suas próprias desgraças,
camuflando suas dores com o ópio mental, com seus luxos e lixos, transformando o banal em sagrado, tomando remedios para se enfermarem mais, dando flores de plástico para estranhos amigos, eu sigo meu caminho, vigilante à isso tudo.
Eu ainda não descansei nem um misero segundo dessa vida.
Eu sempre estive aqui, vendo vocês, eternamente.

Me sinto a cada dia menos humano,
me sinto a cada dia um câncer dos icones,
capaz de fala e sentir cada vez mais todo esse abandono
que eu mesmo sempre quis somente pra mim,
pelo egoísmo que me ensinaram com tanto carinho e dedicação.
Vi então o demônio assustador dos meus sonhos na imagem do espenho.

As certezas ja foram todas jogadas no esgoto.
Eles me fizeram desejar ser aquilo tudo que mais odiei,
e quando tentei ver o futuro,
o universo e firmamento parecia loucura.
- Eu pertenço ao deserto assim como o deserto pertence a mim. -
O simples fato de existir já me soa uma enorme falta de respeito,
E EXATAMENTE POR ISSO EU ESTOU PUTO.

Quando conseguir respirar fora do ar puro dessas pontas de cigarro e chaminés,
e longe de qualquer leviatã que so me mostra o quão incompetente sou com o obvio de se ser,
o barulho das multidões enfurecidas parecerão a melhor música já ouvida.
...
...aí sim, que no mínimo qualquer mendigo sería devidamente tratado como tratam a um diplomata...
...e aí sim, conheceria eu algum dia, algo ao menos parecido com a paz.

Esse manifesto eu vomito do mais profundo orgulho que tenho de não-ser.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

O câncer de Leviatã


Fui bestializado.
Àqueles que nunca
me compreenderão,
fui jogado no hospício,
prisão, inferno, abismo.

 

Porém, aos mesmos
escrevo essas sangrentas palavras,
em claros versos nítidos,
límpidos e puros,
embora de extremo veneno.
À cancerígena potência
do meu martelo
a esmagar tudo aquilo que é
etéreo.

Neste exato momento,
inevitavelmente,
Leviatã te escraviza – é o torpor civilizatório,
o qual presenciamos todos os dias:
na televisão,
nas igrejas,
nos bares da cidade,
nas universidades,
naquilo que você crê ser
e exercer sobre o nosso
belíssimo quadro social.


A verdade está
mais que estampada na cara:
“O crime de baixo
nada mais é
que um mero reflexo
do crime de cima.”
Sem a sabedoria
Não seriamos – pereceríamos.

O Estado é o verdadeiro inimigo:
não seria ele, já em sua própria existência,
um brutal estupro contra a humanidade?

Leigos pensarão: impossível.
...se metade deles soubessem
o real significado da ‘Ética’...
...se metade deles soubessem
o real significado da ‘Prudência’...
...o real significado do ‘Amor’...
...poderíamos até nos dar o luxo
de ter esperança num delírio
– de não ver mais solução na repressão.
Magníficos sonhos meus...
Acéfalos,
o prazer imediato
só vicia e corrompe.
Seu sonho de futuro
não está numa vitrine.

O Estado em si é um crime.
Já se perguntou o que foi feito
em nome do progresso?
E em nome da supremacia racial?

Pois para mim maior respeito existente
deveria ser para com o outro.
Mas não foi esse mesmo Estado quem ontem
queimou índios vivos,
escravizou africanos,
e hoje,
genocida jovens afrodescendentes
e reprime homossexuais?
Mas não foi esse o Estado quem criou as
armas, as drogas e a prostituição?
Não foi ele quem que jogou
bombas atômicas enquanto
crianças dormiam com fome?
De tais coisas, nunca me esquecerei.

Não creio no poder dos Homens.
– “Não há poder maior que o da natureza.”
Não creio na justiça dos Homens.
– “Não há justiça maior do que colher o que plantar.”
Não creio na religião dos Homens.
– “Não há fé maior que a espiritualidade.”
No que eles creem,
aos meus olhos nada mais é que
lobotomia, manipulação e controle social.

E te fizeram crer com convicção
que não há como fugir desta crise.
E, sem perceber, por medo,
apelamos para à preservação
do modelo ancião de organização política
meritocrática, espoliativa, corrupta,
hipócrita e acima de tudo, contraditória.
Em contrapartida se esqueceram de te avisar
que a crise é o próprio Homem,
e o mesmo,
um vírus que onde pisa
não nada deixa a nascer.

Mas esse Homem cairá.
E serei eu auto e arauto disso...
A isso dedico minha vida...
...a isso dedico minha vida...

Em meados da metade da metade
de um século,
dedico a minha vida
à bandeira negra,
ao caos em cacos,
e à toda forma
de expressão
da rebeldia,
arte, liberdade,
numa bela sinonímia,
um novo amanha virá.






segunda-feira, 13 de julho de 2015

As brumas da primavera.


Quantas primaveras já se passaram?
E quantas passarão?
Quando será o próximo desabrochar da flor?
Porém sua aurora fora perdida,

completamente desperdiçada.

Grandes ventos vivi,
Furiosas repressões viverei.
Embora tudo que vejo é efêmero e de etérea beleza,
tanto que se evapora como fumaça refletida no ardor.
A dor, e todo suor é sangue.

A primavera chegou, passou e nem percebemos.
Antes amávamos demais uns aos outros;
Antes amávamos demais a nos mesmos.
Tempos áureos se foram antes destas brumas.
E ate aquele amor, que parecia interminável, se foi,
trocado como escambo por desejos que nem sabíamos porque os tínhamos.


O espírito do tempo e sua brumas...
Disse que todo oposto é o mesmo invertido;
E que há mais semelhança entre as pontas e polos que no meio.
O elo perdido se encontra no ciclo,
o circulo, como uma forma perfeita, infinita e indefinida.
E o todo é paradoxalmente complexo, se quisemos entender...

Entender que há muito ódio no amor e vice versa.
Entender o alvorecer parecer o anoitecer.
Todos os dias são exatamente iguais,
exceto por agora, quando percebemos que estamos morrendo.
E cada "tic" é um "tac" a menos.
Contra isso viver é melhor que se preocupar.
Eu não me preocupo comigo.
Apenas vivo com o respeito maior a mim mesmo.



Entender que aos que amei retornarei, mais completo.
E que os que amam a mim, a mim retornarão,
como prova única de que há algo estatístico nesse todo passageiro.
Fácil: à aquele que vai embora,
que retorna na manhã seguinte,
sorridente, assim esperemos.

Mas lá não.
Lá de onde viemos,
donde o passado enterrou o ultimo suspiro algo que algum dia pode ser chamado de lembrança.
As cores eram mais fortes,
e a vida, mais crua.

Vivíamos como se não existisse amanhã.
Todo dia era fantástico e alimentava a gula da alma de querer ser mais.
Aquilo sim foram as primaveras mais perfeitas,
com o cheiro da velha inocência perdida.
Donde nascemos da terra como arvores,
crescemos descalços tomando banho de chuva
e sonhando em comer a terra molhada da vida.


As brumas da primavera fizeram você crer que tudo sobrevive independente de você;
 e que as pessoas são mais carentes do que aparentam;
e que existem coisas que você nunca será.
Apesar de que pra o corpo
tudo é possível.

Quem sabe a realidade revelada brumas me atingiu fortemente
e me transformou num ser mais centrado.
Quem sabe algum dia pessoas me entenderao
bem assim como tento me entender.

Mas ainda é cedo demais...
...o sol ainda é forte...
e por isso é cedo.

Cedo demais pra dizer eu te amo,
por que eu ainda não sei você quer o meu amor
ou a minha subordinação.
 

E principalmente, 
cedo demais pra ser o que eu não quero ser: mais um.
Mais um  pobre moribundo qualquer no mundo,
perdido, sem porque.

E mesmo que o pássaro liberto morra na semana seguinte,
prefiro lutar pelo que acredito ser a razão.
A razão do viver, fonte de sua potência.
Meu coração é um barco
à deriva na névoa.
 

Toda primavera tem suas flores,
mas nunca esquecer,
que por de trás de cada aroma, 

mora uma lembrança 
de morte bela 
e suas brumas...