Ao longo da Grande Estrada,
A cada Passo que Dou para Frente,
Tenho a Absoluta Firmeza
de que Tudo será Diferente.
Quando Olharei para Trás,
nem mesmo a própria Estrada
será mais a Mesma;
muito menos o Azul,
o Vermelho, Amarelo, Verde.
Imagine então
O Quão Estarão
aqueles que Choram;
aqueles que Riem...
Como a Própria Vida em Sí,
um Rio Caudaloso é para Mim,
cheio de Redemoinhos,
que Somo Nós Somente suas Pedras
ao Longo de seus Caminhos.
Pedras que Rolam;
Pedras que Quicam;
Que se Batem e se Quebram
em Granitos Infinitos de Areia.
Até a Desilusão de que
mesmo o Pó;
o Vapor;
a Caoticidade do Pensar;
Nada,
Absolutamente Nada
Desaparece sem Vestígios Deixar.
Até o Natimorto
sua Missão se Completa aos Próximos,
Então o que Dirão dos Póstumos?
Assim como Não É, Foi e Será
Possível de se Banhar
Duas Vezes num mesmo Rio.
Ou Seja:
Mesmo que Queiras Voltar,
Jamais Poderás Regressar
pro Calmo Passado-Alvoroço.
Não Importa o quanto Tentará;
E Tome isso como Certeza!
Desista!
Não Resista,
Re-Exista!
Eu me Transformei na
Roda da Fortuna!
Eu Vi os Pseudo-condenados
Rogar por um Guerrear
e com Força Guerrearem
com a Felicidade e
o Fervor da Fé no Porvir!
O Crepúsculo que Já Fora tão Aterrador,
Agora Anestesia a Dor,
Pois Certo é o Brilho do Vigor
que se Alvoraça na Luz Posterior.
Um Século mais
meia Década Após,
A Vida
em Toda sua Longa Estrada
se Encontra desamparada,
com a sua Companheira Inseparada:
a Morte.
Mas Ela Sorri Serena,
pois Sabe que Completou
a sua Sina Terrena
Ela Regou a Árvore de sua Vivenda,
que Cresceu, Floresceu, e Deixou
os Ricos Frutos de uma linda Querena.
Quando Chegarmos Lá
Nos Voltaremos para Trás,
Depararemos o que rápido Passou
por Nossos Experientes Olhos:
uma Miríade de Sentimentos
que Fitaram Tudo aquilo que nos Cegou.
Mas Passou,
e Passou sem que nenhuma Câmera
conseguisse Sequer Enquadrar:
quão o Dolente não Sentimos;
quão o Tempo nos Engoliu,
até o ponto de nos Sentirmos Bobos,
Perante à Sagacidade dos Novos.
Lá atrás Observaremos:
que nem nossos Ares são os Mesmos;
que até nos nossos multicoloridos e incolores Conceitos,
já nem sequer a Nós não mais Pertencem.
Num Mundo onde Tudo em sua Volta Muda.
Apesar de Passarmos tantas vezes pelos mesmos lugares...
Quanto menos a Percorrer no Rio,
de certo muito mais eu Ria!
Lutemos pelo Logro Alegre dessa Travessia!
Pois os melhores Presentes
que aqui Ganhei, Sorria.
Brilhantes Sorrisos,
Quebravam Gelos aflitos.
Tenho uma Certeza a Pairar:
Uma Nova Manhã Virá!
Mesmo assim, a Luta não Cessará!
Alegrar-vos!
Para que a nossa Luta Triunfe:
a Luta pela Vontade;
a Luta pela Liberdade Harmoniosa;
a Luta pela Ética como Força Superior;
a Luta pelo Respeito ao Alheio,
no mesmo Nível que temos por nós Mesmos.
Alegrar-vos!
Para Destruir Todos os Fantasmas do Passado!
Alegrar-vos!
Para Esculpir em Diamante Bruto
os Gigantes de Espírito
do Maravilhoso
e tão Colérico
Futuro!
| O Renascimento, de Márcio Carneiro. |
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