O que tanto busquei,
no grande oco em min'alma?
Nesse momento, e finalmente
me encontro só...
Desprotegido das incertezas do mundo.
Desprovido de ego, id, moral, estima,
virtudes, máscaras e armaduras...
Senti algo calado no peito,
algo apertando até machucar.
Sou uma imagem distorcida
de um ideal inatingível...
Pensamentos que sei:
já nem me pertencem mais...
Logo eu...
Eu que já me vi tão insaciável outrora.
Em qual porventura me deixei esquecido?
Como uma pessoa que sempre perde seus pertences
em quaisquer lugares.
Se eu tivesse o poder:
distorciria esse som,
distorciria esse caos,
pra fazer de mim
minha própria morada de paz...
Respira... Não pira...
Abre os olhos lentamente.
Em baixas frequências até o espírito sofre.
E é nas grandes esperanças
se escondem segredos
das verdades mais ásperas.
Aonde ocultaram o charme do mistério?
Nessas entrelinhas mal traçadas?
Vibrações internas rugem
e se condensam em desejos irreais.
Volte para o ser, pois que tudo é: ESTAR.
Volte para a terra (sua firmeza).
Volte para o aqui (seu lar).
Volte para o agora (sua era).
Mas lembre-se sempre:
mesmo que as estrelas,
quiçá já não existam mais...
Meu maior anseio segue sendo:
RESSOAR,
para logo assim,
transmutar
a energia em matéria
viva e animada.
(À tudo que vibra: EX-ISTO.)
