quinta-feira, 6 de junho de 2024

Vomitando luz.

No umbral, meu caro,
é claro que eu existo!
Gargalhando.
Vomitando luz.

Na fonte do caos,
eu também me banho.
Feliz.
Viva o meu sagrado ser profano!
Blasfêmia no café da manhã!
(gostoso demais!)

Meus demônios também são 
deuses e anjos.
Eles conversam entre si, 
eles riem,
eles debocham até chorar.

Olha amigo....
Quando se vive uma vez,
todos os caminhos são um só.
E não há propósito no fim.

Minha matéria vibra densamente.
Denso... 
Tenso...
Frações inestimáveis de 
baixa frequência,
grave, pesada,
púrpura e profunda...

Um espelho não aguenta,
um espelho cai, 
um espelho quebra.
Rompe reflexos de memórias,
como uma imagem turva 
nas águas da vida.
Não recolha!
Não mova as pedras das ruinas.
Nem se importe em mover.

E lembre-se das grandes 
virtudes e valores invertidos:
"ganha o ouro quem cobrar menos";
"prometa nada ganhe tudo".
Mas se não podes dizer, 
então cultive o seu silêncio 
Pois estás a atrapalhar minha meditação...
(((ॐ)))

Eu me sinto muito ainda 
esse mendigo-deus da insatisfação,
e tudo que eu peço
(moribundamente)
é só um pouco mais:
uma dose de emoção
do mais forte e saboroso 
veneno de todos:
A cicuta dos Deuses!
(overdose dopaminérgica de amor)

Um dia desses...
ao cruzar uma encruzilhada,
disseram-me que a vida tem guias, manuais e um tal de destino-manifesto.
(Piada pronta)

Uma lágrima caiu,
proferindo tempos
de anjos abatidos.
Quando fui digerir tal informação 
acabei vomitando luz.

Vomitei até meu olhos pularem pra fora!
Tome, são seus! Eu vos entrego!
Olhe pra eles agora e por favor,
encarecidamente peço que me diga:
quais são os meus desejos mais íntimos, 
ó sabedoria intuitiva ancestral?
Por favor! 
Diga me mais!
Eu não reconheço esse personagem 
que me inventaste.
Me dê roupa, nome e sobrenome.
Diga quem eu sou/fui/serei!!!

Jogue as cartas, leia minha sorte,
mas não se esqueça que 
eu sou ignorante perante
as baixas magias.
Diga em que bode você botou meu nome na boca?
Diga qual entidade monta minha cela?
(cela de cavalo ou cela de prisão, 
tanto faz, pouco importa)

Diga me mais!!! 
Eu quero ouvir!!!
Diga então até onde fita 
os meus belos 
buracos negros 
(loucos diamantes a brilhar),
ó mais profunda e absurda 
escuridão abismal?
(da ausência de todas as cores 
à ausência de minha 
própria existência).